Papel biológico
O CB1R modula a liberação de neurotransmissores e participa da sinalização de membrana em contextos fisiológicos centrais e periféricos. Os efeitos dependem do tecido, do estado celular, do ligante e do desenho experimental.
BIODEV & CURADORIA DE DADOS | BIOINFO_ECS
Plataforma pública em revisão técnica e curatorial contínua
Biologia e estrutura do CB1R examinadas à luz das evidências de sinalização canabinoide em vertebrados
VISÃO GERAL
Em Homo sapiens, o
receptor canabinoide tipo 1 (CB1R) é
codificado pelo gene CNR1,
localizado na região cromossômica 6q15. O registro proteico humano revisado
UniProtKB P21554 descreve uma proteína integral de membrana com
472 aminoácidos, pertencente à classe A dos receptores acoplados à proteína
G. Sua topologia característica compreende sete segmentos transmembrana.
A anandamida (N-araquidonoiletanolamida) e o 2-araquidonoilglicerol (2-AG) estão entre seus ligantes endógenos mais bem caracterizados. O CB1R se acopla predominantemente a proteínas G da família Gi/o. Uma consequência importante é a inibição da adenilil ciclase, reduzindo a conversão de ATP em AMP cíclico (cAMP). Essa não é a única rota de sinalização do receptor: o CB1R também pode modular canais iônicos, vias de proteínas quinases e respostas dependentes de beta-arrestina, de acordo com o ligante, o tipo celular e o contexto fisiológico.
O CB1R modula a liberação de neurotransmissores e participa da sinalização de membrana em contextos fisiológicos centrais e periféricos. Os efeitos dependem do tecido, do estado celular, do ligante e do desenho experimental.
Estruturas determinadas experimentalmente registram conformações selecionadas do receptor. Comparar estados inativos, ativos, ligados a ligantes e acoplados a proteínas G apoia a interpretação mecanística.
QUESTÕES E SEÇÕES DE EVIDÊNCIA
Use estas rotas para consultar identidade, estruturas, ligantes, sinalização e limites de cada método.
Confirme o organismo, o gene CNR1, o registro proteico
revisado, a sequência, a topologia, os ortólogos e a relação com o
CNR2.
Compare registros PDB experimentais, construtos do receptor, arquitetura transmembrana, ligantes, estados conformacionais e parceiros de sinalização associados.
Relacione o contexto ortostérico ou alostérico do ligante à ativação do receptor, ao acoplamento Gi, às condições de membrana e aos limites da interpretação baseada em docking.
Contexto de sinalização Estados do receptor Dinâmica molecular Docking do THC
Diferencie coordenadas observadas e anotações de curadoria de inferência comparativa, poses de docking, simulação e hipóteses translacionais.
Proveniência estrutural Limites da simulação Limites analíticos Limite interpretativo
REGISTRO PROTEICO CURADO
O UniProtKB P21554 reúne sequência, topologia e anotações do CB1R humano. Como o registro pode ser atualizado, anote sua versão e a data de consulta ao reutilizar uma informação.
| Entidade | Valor curado | Contexto da evidência |
|---|---|---|
| Gene | CNR1 · NCBI Gene 1268 · 6q15 |
Anotação gênica humana e localização genômica |
| Proteína | UniProtKB P21554 · 472 aminoácidos | Registro proteico humano revisado |
| Classe do receptor | GPCR de classe A · sete segmentos transmembrana | Topologia curada e classificação farmacológica |
| Ligantes endógenos | Anandamida e 2-AG | Principais ligantes endógenos; a lista não é exaustiva |
Curado com base em NCBI Gene 1268, IUPHAR/BPS Guide to Pharmacology e UniProtKB P21554. Fontes consultadas em 12 de julho de 2026.
REGISTRO CURADO EXTERNO
Consulte na fonte a sequência, a topologia, as anotações funcionais, as referências cruzadas e o histórico do registro.
Confira a versão do registro no UniProt antes de reutilizar uma anotação.
CLASSIFICAÇÃO DO RECEPTOR
CB1 e CB2 são proteínas receptoras codificadas, respectivamente, pelos
genes CNR1 e CNR2. Ambos pertencem à classe A
(Rhodopsin) dos receptores acoplados à proteína G. Na hierarquia atual do
GPCRdb, integram a família dos receptores canabinoides, dentro dos
receptores de lipídios. O nome “Rhodopsin” indica parentesco estrutural e
evolutivo com essa classe de GPCRs; não significa que CB1 ou CB2 detectem luz.
Receptores acoplados à proteína G
Classe A (Rhodopsin)
Receptores de moléculas pequenas
Receptores de lipídios
Receptores canabinoides
proteína CB1 · gene CNR1
proteína CB2 · gene CNR2
O Reactome preserva a denominação classe A/1 e resume uma análise de 2002 que dividiu os GPCRs semelhantes à rodopsina em 19 subfamílias. Esse esquema explica a terminologia do registro, mas não substitui a hierarquia atual de classe, tipo de ligante e família usada pelo GPCRdb.
Pertencer à mesma classe orienta a comparação entre receptores. A
farmacologia específica de CB1 e a conservação funcional entre
espécies exigem evidências bioquímicas e fisiológicas. Ortologia e origem de CNR1 e CNR2
são tratadas em conjunto no contexto evolutivo.
Classificação atual: GPCRdb — níveis e termos ↗ · Nomenclatura dos receptores: IUPHAR/BPS Guide to Pharmacology ↗
REGISTRO CURADO DE VIA
O Reactome classifica o evento de ligação dos receptores humanos CB1 e CB2 em Transdução de sinais → Sinalização por GPCR → Ligação de ligantes a GPCRs → Classe A/1 (receptores semelhantes à rodopsina). O evento reúne CB1 e CB2 e, portanto, documenta o contexto da via e da classificação; não constitui evidência exclusiva sobre CB1.
Fonte: Reactome R-HSA-419426. Compare a nomenclatura do receptor com a IUPHAR/BPS cannabinoid receptor family.
CONTEXTO EVOLUTIVO
Um gene ancestral relacionado a CB1 e CB2 antecedeu a duplicação que
originou CNR1 e CNR2 nos vertebrados. Nesta
página, o foco é CNR1 e a proteína CB1 que ele codifica. Os
registros BfCBR em Branchiostoma e CiCBR em Ciona ajudam a
reconstruir a etapa anterior à duplicação, mas não são chamados de CB1
ou CB2 sem qualificação.
CNR1 codifica CB1 e CNR2 codifica CB2. Os
dois genes descendem de uma duplicação ancestral e são parálogos;
essa origem compartilhada não torna os receptores funcionalmente
equivalentes.
Entre vertebrados, ortólogos de CNR1 são a referência
adequada para comparar sequência, estrutura e expressão de CB1. A
conservação farmacológica ou fisiológica precisa ser testada
separadamente.
LIMITE DA INFERÊNCIA
A árvore evolutiva informa ancestralidade e eventos de duplicação. Determinar ligantes, padrões de expressão e funções fisiológicas exige evidências funcionais para cada receptor.
evolucao-cb1-cb2 Árvore de espécies · duplicação gênica · evidências · referências primárias Abrir análise ↗
ESTRUTURAS
Os registros selecionados permitem comparar estados inativos e ativos, complexos com proteína G, um análogo de endocanabinoide e um modulador alostérico. Considere as condições experimentais de cada estrutura.
As coordenadas estruturais são obtidas nos registros PDB citados e renderizadas localmente com 3Dmol.js. Use o visualizador Mol* oficial do RCSB PDB. Metadados consultados em 12 de julho de 2026. Estruturas experimentais são instantâneos produzidos sob construtos e condições específicas; compare método, resolução, mutações, ligantes e relatórios de validação antes de formular conclusões mecanísticas.
| PDB | Ligante | Papel comparativo |
|---|---|---|
| 5TGZ | AM6538 | Estado inativo ligado a antagonista |
| 5XRA | AM11542 | Estado ativo ligado a agonista |
| 5XR8 | AM841 | Estado ativo ligado a agonista |
| 5U09 | Taranabant | Referência inativa de alta resolução |
| 9B54 | VIP36 | Agonismo enviesado em complexo CB1–Gi |
ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO
O painel acima permite alternar registros PDB, examinar uma estrutura por vez e consultar seus metadados. As questões abaixo orientam a leitura visual; não acionam uma comparação automática.
01 · ESTADOS INATIVOS
Como AM6538 e taranabant ocupam o bolsão ortostérico e estabilizam conformações inativas observadas experimentalmente?
As diferenças podem refletir o ligante, mutações, parceiros de fusão, desenho do construto e condições cristalográficas.
Registre: resíduos do bolsão, pose do ligante e uma limitação associada ao construto.
02 · EFEITOS DOS AGONISTAS
Quais contatos e rearranjos do bolsão são compartilhados ou específicos dos ligantes AM11542 e AM841?
Diferenças estruturais, isoladamente, não estabelecem diferenças de eficácia, potência ou resposta fisiológica.
Registre: contatos compartilhados, contatos distintos e a evidência necessária para testar eficácia.
03 · COMPLEXOS DE SINALIZAÇÃO
Como diferem, nesses instantâneos, a ativação do receptor, o acoplamento Gi, o contexto do ligante e o complexo com agonista enviesado?
O agonismo enviesado depende do ensaio, da via, do contexto celular, do ligante de referência e da análise quantitativa da transdução.
Registre: estado do receptor, interface com Gi, contexto do ligante e uma pergunta dependente de ensaio.
04 · SÍTIOS DE LIGAÇÃO
Onde está o sítio alostérico em relação aos ligantes ortostéricos e quais conexões conformacionais são plausíveis?
Proximidade espacial ou diferença conformacional, por si só, não estabelece eficácia alostérica fisiológica.
Registre: localização do sítio, resíduos de conexão e uma hipótese alostérica testável.
DINÂMICA MOLECULAR
Dinâmica molecular (DM) é um método de simulação computacional usado para estudar o movimento e as interações de átomos e moléculas ao longo do tempo.
FUNDAMENTO TEÓRICO
A DM integra numericamente as equações clássicas de movimento de Newton para um sistema de N partículas. Para o átomo i, a força é obtida pelo gradiente negativo da função de energia potencial do sistema:
Registre o construto, o ligante, resíduos ausentes ou mutados, lipídios de membrana, solvente, íons, estados de protonação e coordenadas iniciais antes de interpretar o movimento molecular.
Minimize e equilibre o sistema antes da produção. O integrador, o passo de tempo, o conjunto estatístico, a temperatura, a pressão, o campo de força e as réplicas independentes devem permanecer explícitos.
Compare conformações, flutuações, contatos com ligantes, redes de água e rearranjos de hélices transmembrana entre réplicas e com estados experimentais do receptor.
| Campo | Valor registrado | Estado da evidência |
|---|---|---|
| Estrutura candidata de origem | 5U09 · CB1R humano · estado inativo · 2,6 Å | Identidade, método e resolução: fatos de arquivo; estado inativo: interpretação curada; derivação da trajetória: não confirmada |
| Ligante ligado | 7DY · taranabant · agonista inverso | Presença observada; papel farmacológico anotado externamente; não é THC |
| Ambiente simulado | Membrana POPC · água TIP3P · sódio · cloreto | Observado no PDB e no PSF locais |
| Tamanho do sistema | 69.095 átomos | PSF local |
| Família do campo de força | Família CHARMM36 com topologia específica do ligante | Fontes da topologia inferidas das observações do PSF; parâmetros de produção indisponíveis |
| Protocolo | Software, duração, passo de tempo, conjunto estatístico, condições e réplicas indisponíveis | Não documentado localmente |
DOCKING · MUDANÇA DE ESTUDO DE CASO
O docking propõe poses de ligação testáveis em uma estrutura de receptor selecionada; não demonstra, por si só, ligação ou eficácia. A dinâmica molecular pode então testar se uma pose modelada relaxa, persiste ou se desloca nas condições de simulação escolhidas.
CONTEXTO FUNCIONAL
Na evidência funcional citada, o THC pode ativar o CB1R e produzir resposta máxima menor que a de um agonista pleno de alta eficácia em determinado ensaio. Isso não significa ocupação parcial do receptor nem, necessariamente, ligação fraca. A eficácia aparente depende da via medida, da densidade e da reserva de receptores, do sistema biológico, das condições do ensaio e do comparador.
Evidência funcional: IUPHAR/BPS Guide to Pharmacology · estudo primário em ensaio de CB1R.
Leia as evidências em três camadas. Um resultado de uma camada não substitui a evidência exigida nas demais.
Identifique o ensaio, a via medida, o agonista pleno comparador e o contexto do receptor que sustentam a classificação como agonista parcial.
A forma do ligante se ajusta ao estado selecionado do receptor sem pressupostos não sustentados sobre eficácia?
Quais contatos, moléculas de água e rearranjos do bolsão permanecem reproduzíveis em simulações independentes?
CONCLUSÃO
O CB1R é examinado por registros de sequência, estruturas em diferentes estados e estudos de sinalização.
Estados estruturais e ensaios funcionais respondem a perguntas diferentes. Compare ligante, construto, método experimental e limites de cada evidência.
Retorne a Cannabis sativa para consultar o enquadramento da espécie ou use a seção de docking para avaliar hipóteses sobre a ligação THC–CB1R.
As páginas de espécie, enzima, fitoquímica e receptor compõem uma rede de evidências com escopos distintos. A conclusão deve preservar a identidade, o método e os limites de cada registro.
ESTUDO COMPUTACIONAL · CB1R–THC
Consulte os dados estruturais, o docking do THC, a dinâmica molecular em membrana e as visualizações documentadas, com os limites de interpretação de cada resultado.
Revise as evidências visuais, os limites da trajetória e o fluxo de trabalho documentado para o sistema CB1R–THC.
Estudo para consulta; não é uma interface para executar novas simulações.
REUTILIZAÇÃO DE UMA ANÁLISE
Registre o organismo, o gene CNR1, o identificador do
registro proteico e o ligante de cada estrutura selecionada. Confira
se o construto contém mutações ou outras modificações experimentais.
Registre o identificador PDB, a versão, a cadeia, os resíduos selecionados, a fonte da anotação e os parâmetros de visualização ou análise.
Identifique se o resultado provém de uma estrutura experimental, de uma pose de docking com THC, de uma trajetória simulada ou de um ensaio funcional. Informe a fonte de cada conclusão e os limites da comparação entre esses resultados.