Estruturados
Seguem um modelo definido, com campos e tipos de valores padronizados. [1]
Exemplo: tabela em que cada linha representa uma amostra e as colunas registram identificação, tipo de material, data de coleta e massa em gramas.
Plataforma · Guia educativo
Como ler tabelas de amostras, reconhecer formatos de dados biológicos e interpretar os valores registrados antes de escolher um método de análise.
Este guia apoia os percursos de BioDev e aprendizado de máquina e prepara para o estudo dos métodos propostos para o Virtual Lab. Não executa análises.
EnglishFundamentos para análise
Uma mesma pesquisa pode reunir tabelas de amostras, sequências de DNA e fotografias de folhas. A organização dos registros define como ler esses arquivos; a escala de cada variável indica como comparar seus valores.
Dados são registros de características de eventos, objetos ou fenômenos: valores medidos, contagens, observações, textos e imagens. São insumos básicos de um sistema de informação, que reúne pessoas, processos e recursos para registrar, organizar e interpretar esses dados. Um conjunto de dados é uma coleção desses registros, com um propósito e uma origem definidos.
Uma hipótese é uma explicação proposta, ainda a ser avaliada. Evidência é o papel que dados e resultados desempenham ao apoiar ou contestar uma afirmação, considerando método, contexto e limitações. No exemplo fictício, diferenças de massa descrevem as amostras; não demonstram que a temperatura causou essas diferenças. A passagem de registros a explicações exige justificativa, não apenas processamento. [20]
Dados podem ser ativos estratégicos: seu acesso, controle e capacidade de análise influenciam pesquisa, economia e relações geopolíticas. Seu valor depende da pergunta, da qualidade e das condições de uso; acumular registros não substitui governança. No Kannabium, preservar fonte, versão e contexto permite revisar uma interpretação sem perder o registro original.
Para aprofundar o estudo de análise de dados e aprendizado de máquina, consulte as obras de Faceli e colaboradores e de Fávero e Belfiore, indicadas como leitura complementar. [14] [15]
Um mesmo conjunto pode ser descrito por vários critérios. Eles se complementam; não são categorias que competem entre si.
Big Data é um fenômeno da transformação digital marcado pela produção e circulação massiva de dados em redes, serviços e sistemas conectados. No sentido técnico, designa conjuntos cujas características — volume, variedade, velocidade e/ou variabilidade — exigem uma arquitetura escalável e tecnologias adequadas para armazenamento, processamento e análise eficientes. O conceito reúne, portanto, os desafios dos dados e a capacidade tecnológica necessária para tratá-los. [16]
Uma arquitetura escalável consegue ampliar sua capacidade à medida que a demanda cresce. Isso pode significar adicionar recursos ou distribuir o armazenamento e o processamento entre várias máquinas. Esse tratamento combina tecnologias de coleta, integração, armazenamento e análise, escolhidas conforme as operações, o prazo de resposta e os recursos disponíveis; não há um corte universal em linhas ou gigabytes. Mais dados também não garantem informação útil: qualidade, contexto e métodos continuam essenciais.
Exemplo de enquadramento: integrar sequências genômicas, imagens e séries de sensores de muitas amostras pode exigir esse tratamento. A presença de um arquivo FASTA (formato textual de sequências) ou de vários formatos, por si só, não caracteriza Big Data. É necessário avaliar a carga de trabalho e a capacidade de processá-la.
Esses dados podem vir de registros de acesso à Web, comércio eletrônico, redes sociais, documentos, sensores, identificação por radiofrequência (RFID) e posicionamento por satélite (GPS). Também são produzidos na astronomia, nas ciências atmosféricas, na genômica, em experimentos bioquímicos e em registros clínicos, de telefonia, imagens e vídeos. Cada origem traz requisitos próprios de integração, processamento e interpretação.
As dimensões se complementam: volume, velocidade e variedade orientam o planejamento tecnológico; valor e veracidade ajudam a avaliar utilidade e qualidade. Variabilidade e complexidade acrescentam os desafios de mudança e integração. As listas de “Vs” variam entre autores e não são um teste automático de classificação.
Seguem um modelo definido, com campos e tipos de valores padronizados. [1]
Exemplo: tabela em que cada linha representa uma amostra e as colunas registram identificação, tipo de material, data de coleta e massa em gramas.
Têm campos identificados por nomes ou marcadores, mas não exigem que todos os registros tenham o mesmo conjunto fixo de campos. Podem incluir listas e agrupamentos dentro de um registro. JSON e XML permitem representar essa organização flexível. [1] [9]
Exemplo: um documento JSON reúne a amostra A01, com massa de 2 g, e A02, com massa de 4 g e uma lista de análises. Cada análise de A02 contém data, método e resultado. Um esquema — conjunto de regras — pode definir campos obrigatórios, opcionais e tipos de valores. O formato do arquivo não determina sozinho a classificação.
O conteúdo principal não está organizado em campos de análise predefinidos, como nas colunas de uma tabela. [1]
Exemplo: fotografia de uma folha, áudio de entrevista ou texto de um artigo. A contagem de manchas é obtida da análise da imagem; registre o método e mantenha o vínculo com a fotografia original.
Neste exemplo, cada linha representa um objeto — aqui, uma amostra. Cada coluna após o identificador representa um atributo, isto é, uma característica registrada. São n = 3 objetos e d = 5 atributos: uma matriz X de 3 × 5. O identificador distingue os objetos e, neste exemplo, fica fora de X.
Em telas estreitas, deslize as tabelas para ver todas as colunas. Pelo teclado, leve o foco à tabela e use as setas horizontais.
| Objeto (ID) | Material | Prioridade de revisão | Temperatura do ar na coleta (°C) | Massa seca (g) | Registros vinculados |
|---|---|---|---|---|---|
| A01 | folha | baixa | 10 | 2 | 3 |
| A02 | raiz | média | 20 | 4 | 6 |
| A03 | inflorescência | alta | 30 | 6 | 9 |
Leitura da linha A01: a amostra é uma folha com massa seca de 2 g; 10 °C é a temperatura do ar na coleta. Material é categórico; massa e temperatura são numéricos. Para algoritmos que exigem entradas numéricas, as categorias precisam ser codificadas.
Um dicionário de dados informa significado, tipo, unidade e valores admitidos. Atributos qualitativos ou categóricos descrevem classes. Os quantitativos ou numéricos expressam quantidades: discretos resultam de contagens; contínuos representam medidas como massa, tamanho e distância, registradas com resolução e incerteza próprias do método. Nem todo número é uma quantidade: códigos de identificação são rótulos.
| Atributo | Tipo | Valores: exemplos e interpretação | Escala |
|---|---|---|---|
| Material | Qualitativo | Categorias: folha, raiz ou inflorescência. Escolha uma categoria para cada amostra. | Nominal |
| Prioridade de revisão | Qualitativo | Níveis ordenados: baixa < média < alta. A ordem indica prioridade, não diferenças iguais entre os níveis. | Ordinal |
| Temperatura do ar na coleta | Quantitativo contínuo | Condição do ambiente na coleta, medida em °C, como −2; 10; 20,5. Registre a resolução do instrumento e a incerteza da medição, quando disponível. Zero é uma referência da escala, não ausência de temperatura. | Intervalar |
| Massa seca | Quantitativo contínuo | Medida não negativa em g, como 2 ou 2,5, conforme o procedimento de secagem e pesagem. Informe a resolução da balança; casas decimais, sozinhas, não demonstram precisão. | Racional (de razão) |
| Registros vinculados | Quantitativo discreto | Contagem inteira: 0, 1, 2… Não admite frações. Zero indica nenhum registro vinculado; uma contagem desconhecida deve ser marcada como ausente. | Racional (de razão) |
Uma observação ausente precisa de uma convenção própria, documentada separadamente dos valores válidos. Codificar baixa, média e alta como 1, 2 e 3 não demonstra diferenças iguais entre as categorias.
Precisão, resolução e incerteza: precisão descreve a concordância entre medições repetidas sob condições definidas; resolução é a menor mudança que produz uma alteração perceptível na indicação do instrumento. A incerteza caracteriza a dispersão dos valores que podem ser atribuídos à grandeza medida, com base nas informações disponíveis. Nenhuma dessas propriedades é determinada apenas pelo número de casas decimais. VIM — Vocabulário Internacional de Metrologia. [21]
A tabela didática acima ensina a organização dos dados. Os casos abaixo mostram a mesma leitura em registros do banco Kannabium, fontes químicas como ChEBI (base de entidades químicas) e um conjunto de dados usado no site. Cada linha apresenta um caso distinto, não uma amostra do mesmo experimento. Esses casos não formam uma matriz de objetos comparáveis entre si.
| Objeto | Atributo | Valor | Tipo e interpretação | Origem |
|---|---|---|---|---|
| THCA sintase — estrutura 3VTE | Resolução cristalográfica | 2,75 Å | Numérico: resolução dos dados de difração, em ångströms; não é a incerteza da posição de cada átomo. | Banco Kannabium; registro estrutural 1, conferido no RCSB PDB. [6] |
| Canabidiol — CBD | Fórmula molecular | C21H30O2 | Simbólico: descreve a composição molecular, mas não especifica sozinho a estrutura ou o isômero. Não é uma quantidade a somar. | ChEBI:69478, fonte química oficial. [18] |
| Linalol — monoterpenoide | Número de átomos de carbono | 10 | Numérico discreto: contagem derivada do termo C10 na fórmula C10H18O. | ChEBI:17580; valor derivado da fórmula, não de uma medição de amostra. [18] |
| Amostra de carreiras 2026 | Número de registros | 35 | Numérico discreto: contagem de registros com identificadores distintos. | Conjunto de dados do site, versão 2.4.0. Não representa o total de vagas do mercado. [19] |
Uma variável é uma característica registrada. Na tabela de amostras, cada coluna representa uma variável: material é categórico; massa é numérica. Uma tabela pode reunir variáveis de escalas diferentes.
No Kannabium, Plantae–Animalia conecta conteúdos da planta e estudos em animais. A THCA sintase é uma enzima da biossíntese do ácido tetraidrocanabinólico (THCA). O Δ⁹-tetraidrocanabinol (THC) é um canabinoide; o receptor canabinoide tipo 1 (CB1) é uma proteína receptora, não um canabinoide.
| Grupo | Escala | Definição | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Categórico | Nominal | Categorias identificadas por nomes, sem ordem de grandeza. Permitem agrupar e contar registros, não comparar níveis. Relações: Propriedades: em um campo de categoria única, as categorias devem ser mutuamente exclusivas. Frequência é a contagem de cada categoria; proporção é sua participação no total; moda é a categoria mais frequente, podendo haver empate. [1] [3] | Identidade molecular no conjunto: THCA sintase, Δ⁹-tetraidrocanabinol (THC) ou CB1. Cada rótulo identifica a entidade descrita pelo registro, sem estabelecer uma ordem entre elas. Funções como enzima ou receptor devem ser registradas em outro atributo; não formam necessariamente classes exclusivas. Notação: se os registros A e C têm o rótulo THC e B tem o rótulo CB1, |
| Categórico | Ordinal | Categorias com ordem definida. Indicam níveis de uma característica, mas a ordem sozinha não informa a diferença nem a proporção entre os níveis. Relações: igualdade e ordem, como Propriedades: códigos 1, 2 e 3 podem registrar a ordem, mas seus intervalos numéricos não demonstram distâncias iguais entre as respostas. A classificação permite comparar posições; não calcular dobro ou metade dos níveis. [1] [3] | Em um exemplo didático de ensaio celular com o receptor CB1, as respostas são agrupadas em baixa, média ou alta, conforme faixas definidas para esse ensaio. “Alta” não significa necessariamente o dobro de “média”. Notação: |
| Numérico | Intervalar | Diferenças iguais representam a mesma variação. O ponto inicial da escala é uma referência, não ausência daquilo que se mede. Relações: igualdade, ordem e diferenças, como Propriedades: o zero é convencional. A escala informa quais comparações fazem sentido; não garante qualidade da medição nem elimina erros. [1] [3] [4] | Datas ilustrativas de análises de canabinoides em uma amostra de Cannabis: 1, 3 e 5 de junho de 2026. Entre a primeira e a segunda análise passaram-se 2 dias; entre a segunda e a terceira, também. As datas indicam quando as análises ocorreram; a duração do acompanhamento é calculada pela diferença entre datas. Notação: sejam |
| Numérico | Racional (de razão) | Medidas ou contagens com zero que significa ausência da quantidade registrada. Permitem comparar diferenças e proporções, como dobro e metade. Relações: igualdade, ordem, diferenças e razões. Para valores da mesma grandeza e na mesma unidade, Propriedades: zero representa ausência da quantidade definida. Somas, produtos e outras operações exigem interpretação e unidades coerentes; a escala não autoriza qualquer cálculo. “De razão”, também chamada “racional” em algumas classificações, não significa que os valores precisem ser frações | Número de moléculas de THC em dois modelos didáticos: A contém 1; B contém 2. B tem o dobro dessas moléculas. Um modelo com 0 moléculas de THC não contém esse composto. Se a contagem não foi feita, o valor é ausente, não zero. Notação: |
Exemplo com temperatura: 10, 20 e 30 °C têm intervalos iguais de 10 °C. Entretanto, 20 °C não é o dobro da temperatura termodinâmica de 10 °C: Celsius usa um zero convencional, não ausência de temperatura. Compare diferenças em °C, não razões entre esses valores. [3]
As faixas de resposta dependem do ensaio e dos seus controles; não são uma classificação universal. Contar moléculas em um modelo não mede afinidade de ligação nem efeito biológico.
Códigos como 001 e 002 identificam amostras. Embora usem números, não representam quantidades nem permitem comparar as amostras como maiores ou menores.
Na bioinformática, registros de sequência, estrutura, localização e imagem representam aspectos diferentes dos objetos estudados. Identificar o que cada registro descreve é o primeiro passo para escolher como analisá-lo.
A lista reúne formas de representar dados, não classes mutuamente exclusivas: uma sequência pode ser registrada em texto, e um vídeo pode incluir áudio. Multimodal indica a combinação de modalidades, não uma modalidade básica adicional. Estrutura e escala de medição são outros critérios.
| Representação ou combinação | Exemplo e o que preservar |
|---|---|
| Áudio | Entrevista gravada: consentimento, taxa de amostragem e origem da transcrição. |
| Combinação multimodal | Imagem de folha com espectro e tabela da amostra: identificadores que conectam o mesmo exemplar entre modalidades. |
| Grafos | Rede de interações moleculares: identidade dos nós e evidência de cada conexão. |
| Imagens | Fotografia de tricomas: resolução, escala e condições de aquisição. |
| Sequências biológicas | DNA, RNA ou proteínas: identificador, organismo, alfabeto e versão do registro. |
| Séries temporais | Medições repetidas de um sensor: datas e horários, intervalo de amostragem e lacunas. |
| Textos | Artigo científico: autoria, página ou seção e condições de reutilização. |
| Vídeos | Registro do crescimento de uma planta: quadros por segundo, duração e condições de captura. |
Sequências representam uma ordem: de nucleotídeos, as unidades que compõem DNA e RNA, ou de aminoácidos nas proteínas. Após processamento e anotação, podem integrar bancos especializados: o GenBank reúne sequências de nucleotídeos; o UniProt, sequências proteicas e informações sobre sua função. [5] [17]
Na análise, use uma versão definida da sequência para fixar o conteúdo estudado. Anotações podem ser atualizadas sem alteração da sequência; uma versão da sequência não congela todo o registro do banco. Preserve identificador, versão e data de acesso. [5]
No FASTA, cada registro começa por um cabeçalho, seguido pela sequência. As regras do formato organizam essa informação em um arquivo de texto. O termo “bruto” descreve o estágio de processamento dos dados; a estrutura descreve como o conteúdo está organizado. Veja esses elementos em Leia um FASTA real do projeto. [5]
Dados utilizáveis exigem mais que um formato correto. A identificação taxonômica, a origem da observação e o significado da medida precisam permanecer rastreáveis.
Exemplos de aplicação da literatura: Ferreira de Lima e colaboradores (2026), Katori e Oguro (2026) e Jin e colaboradores (2020). São estudos externos, não experimentos realizados pelo Kannabium.
Antes de analisar, registre fonte, identificador, versão e datas disponíveis. Confira o significado dos campos, as unidades, o formato e como os valores ausentes são indicados.
Para comparar massas, confira unidade, tipo e condição do material, como fresco ou seco. Um campo vazio não significa massa igual a zero; consulte a documentação antes de tratar valores ausentes.
A tabela 3 × 5 usa valores fictícios. Os casos reais têm suas fontes identificadas e incluem registros externos e valores derivados; sua presença no guia não os transforma em resultados experimentais produzidos pelo Kannabium.
Continuar no guia de dados, modelos e governança →Leitura complementar sobre análise de dados e apoio à decisão: Sharda, Delen e Turban. [13]
Os números entre colchetes remetem às referências de cada tópico. Os livros [13]–[15] são sugestões de leitura complementar sobre análise de dados, aprendizado de máquina e apoio à decisão. Os exemplos didáticos aproximam esses conceitos do contexto do Kannabium.