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Fundamentos de dados para análise

Como ler tabelas de amostras, reconhecer formatos de dados biológicos e interpretar os valores registrados antes de escolher um método de análise.

Este guia apoia os percursos de BioDev e aprendizado de máquina e prepara para o estudo dos métodos propostos para o Virtual Lab. Não executa análises.

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Fundamentos para análise

Dados para análise: tipos, formatos e exemplos

Uma mesma pesquisa pode reunir tabelas de amostras, sequências de DNA e fotografias de folhas. A organização dos registros define como ler esses arquivos; a escala de cada variável indica como comparar seus valores.

Dados, informação, evidência e conhecimento

Dados são registros de características de eventos, objetos ou fenômenos: valores medidos, contagens, observações, textos e imagens. São insumos básicos de um sistema de informação, que reúne pessoas, processos e recursos para registrar, organizar e interpretar esses dados. Um conjunto de dados é uma coleção desses registros, com um propósito e uma origem definidos.

  1. Dado: o registro fictício “A01; massa seca; 2 g” descreve uma amostra e uma medida.
  2. Informação: comparar amostras medidas pelo mesmo procedimento mostra como suas massas diferem. Sem unidade e método, o número isolado pouco informa.
  3. Conhecimento: na ciência, explicações sustentadas por evidências e avaliação crítica permitem compreender fenômenos e orientar novas investigações, permanecendo abertas à revisão. Processar dados não garante, por si só, uma conclusão válida.

Uma hipótese é uma explicação proposta, ainda a ser avaliada. Evidência é o papel que dados e resultados desempenham ao apoiar ou contestar uma afirmação, considerando método, contexto e limitações. No exemplo fictício, diferenças de massa descrevem as amostras; não demonstram que a temperatura causou essas diferenças. A passagem de registros a explicações exige justificativa, não apenas processamento. [20]

Dados podem ser ativos estratégicos: seu acesso, controle e capacidade de análise influenciam pesquisa, economia e relações geopolíticas. Seu valor depende da pergunta, da qualidade e das condições de uso; acumular registros não substitui governança. No Kannabium, preservar fonte, versão e contexto permite revisar uma interpretação sem perder o registro original.

Para aprofundar o estudo de análise de dados e aprendizado de máquina, consulte as obras de Faceli e colaboradores e de Fávero e Belfiore, indicadas como leitura complementar. [14] [15]

Caracterizar antes de analisar

Um mesmo conjunto pode ser descrito por vários critérios. Eles se complementam; não são categorias que competem entre si.

Estrutura
Como os registros estão organizados: tabela com campos fixos, documento com campos flexíveis ou conteúdo como imagem e texto livre.
Tempo e frequência
Uma fotografia de um momento, medições repetidas ou um fluxo contínuo. Registre datas, intervalos e lacunas: nem toda série tem observações igualmente espaçadas.
Dependência
Medições da mesma planta ao longo do tempo, indivíduos aparentados e locais próximos podem ser relacionados. Tratá-los como observações independentes pode distorcer a análise.
Volume
Considere número de registros e atributos, tamanho dos arquivos e recursos disponíveis. Uma tabela pequena e uma coleção de genomas exigem estratégias diferentes de armazenamento e processamento.

Big Data: transformação digital, arquitetura e análise

Big Data é um fenômeno da transformação digital marcado pela produção e circulação massiva de dados em redes, serviços e sistemas conectados. No sentido técnico, designa conjuntos cujas características — volume, variedade, velocidade e/ou variabilidade — exigem uma arquitetura escalável e tecnologias adequadas para armazenamento, processamento e análise eficientes. O conceito reúne, portanto, os desafios dos dados e a capacidade tecnológica necessária para tratá-los. [16]

Uma arquitetura escalável consegue ampliar sua capacidade à medida que a demanda cresce. Isso pode significar adicionar recursos ou distribuir o armazenamento e o processamento entre várias máquinas. Esse tratamento combina tecnologias de coleta, integração, armazenamento e análise, escolhidas conforme as operações, o prazo de resposta e os recursos disponíveis; não há um corte universal em linhas ou gigabytes. Mais dados também não garantem informação útil: qualidade, contexto e métodos continuam essenciais.

Exemplo de enquadramento: integrar sequências genômicas, imagens e séries de sensores de muitas amostras pode exigir esse tratamento. A presença de um arquivo FASTA (formato textual de sequências) ou de vários formatos, por si só, não caracteriza Big Data. É necessário avaliar a carga de trabalho e a capacidade de processá-la.

Esses dados podem vir de registros de acesso à Web, comércio eletrônico, redes sociais, documentos, sensores, identificação por radiofrequência (RFID) e posicionamento por satélite (GPS). Também são produzidos na astronomia, nas ciências atmosféricas, na genômica, em experimentos bioquímicos e em registros clínicos, de telefonia, imagens e vídeos. Cada origem traz requisitos próprios de integração, processamento e interpretação.

  • Volume: é a quantidade de dados gerados, reunidos e mantidos. Em escala massiva, armazenar e analisar esses registros pode exigir ampliação da capacidade, processamento distribuído e ferramentas especializadas, conforme a carga de trabalho. O planejamento considera registros, atributos, tamanho dos arquivos e crescimento esperado.
  • Velocidade: é o ritmo de geração, coleta e processamento dos dados, em relação ao tempo disponível para utilizá-los. Redes sociais e sistemas de monitoramento podem produzir fluxos contínuos; a infraestrutura precisa acompanhar sua chegada e entregar resultados no prazo exigido pela aplicação.
  • Variedade: é a diversidade de fontes, estruturas e formatos, como planilhas, textos, imagens, áudios, vídeos e sequências biológicas. Integrá-los exige reconhecer o significado de cada registro e compatibilizar identificadores, unidades e metadados, preservando as diferenças relevantes para a análise.
  • Valor: é a utilidade dos dados para uma pergunta, uma investigação ou uma decisão. Nem todo registro contribui da mesma forma. A análise procura selecionar e combinar o que é relevante para produzir informação útil; quantidade acumulada, por si só, não representa benefício.
  • Veracidade: diz respeito à confiabilidade e à autenticidade dos registros e de sua origem. Exige avaliar erros, lacunas, vieses e possíveis manipulações, além de documentar métodos e transformações. A rastreabilidade ajuda a verificar interpretações e a comunicar incertezas, reduzindo o risco de conclusões enganosas.
  • Variabilidade: mudanças no ritmo, na distribuição ou no significado dos registros ao longo do tempo.
  • Complexidade: dificuldade de integrar fontes, relações, unidades e contextos diferentes.

As dimensões se complementam: volume, velocidade e variedade orientam o planejamento tecnológico; valor e veracidade ajudam a avaliar utilidade e qualidade. Variabilidade e complexidade acrescentam os desafios de mudança e integração. As listas de “Vs” variam entre autores e não são um teste automático de classificação.

Organização dos registros

Estruturados

Seguem um modelo definido, com campos e tipos de valores padronizados. [1]

Exemplo: tabela em que cada linha representa uma amostra e as colunas registram identificação, tipo de material, data de coleta e massa em gramas.

Semiestruturados

Têm campos identificados por nomes ou marcadores, mas não exigem que todos os registros tenham o mesmo conjunto fixo de campos. Podem incluir listas e agrupamentos dentro de um registro. JSON e XML permitem representar essa organização flexível. [1] [9]

Exemplo: um documento JSON reúne a amostra A01, com massa de 2 g, e A02, com massa de 4 g e uma lista de análises. Cada análise de A02 contém data, método e resultado. Um esquema — conjunto de regras — pode definir campos obrigatórios, opcionais e tipos de valores. O formato do arquivo não determina sozinho a classificação.

Não estruturados

O conteúdo principal não está organizado em campos de análise predefinidos, como nas colunas de uma tabela. [1]

Exemplo: fotografia de uma folha, áudio de entrevista ou texto de um artigo. A contagem de manchas é obtida da análise da imagem; registre o método e mantenha o vínculo com a fotografia original.

Objetos nas linhas, atributos nas colunas

Neste exemplo, cada linha representa um objeto — aqui, uma amostra. Cada coluna após o identificador representa um atributo, isto é, uma característica registrada. São n = 3 objetos e d = 5 atributos: uma matriz X de 3 × 5. O identificador distingue os objetos e, neste exemplo, fica fora de X.

Em telas estreitas, deslize as tabelas para ver todas as colunas. Pelo teclado, leve o foco à tabela e use as setas horizontais.

Exemplo didático: 3 objetos × 5 atributos, com valores fictícios.
Objeto (ID)MaterialPrioridade de revisãoTemperatura do ar na coleta (°C)Massa seca (g)Registros vinculados
A01folhabaixa1023
A02raizmédia2046
A03inflorescênciaalta3069

Leitura da linha A01: a amostra é uma folha com massa seca de 2 g; 10 °C é a temperatura do ar na coleta. Material é categórico; massa e temperatura são numéricos. Para algoritmos que exigem entradas numéricas, as categorias precisam ser codificadas.

O que cada atributo pode receber?

Um dicionário de dados informa significado, tipo, unidade e valores admitidos. Atributos qualitativos ou categóricos descrevem classes. Os quantitativos ou numéricos expressam quantidades: discretos resultam de contagens; contínuos representam medidas como massa, tamanho e distância, registradas com resolução e incerteza próprias do método. Nem todo número é uma quantidade: códigos de identificação são rótulos.

Dicionário dos cinco atributos da tabela: tipo, valores admitidos e escala.
AtributoTipoValores: exemplos e interpretaçãoEscala
MaterialQualitativoCategorias: folha, raiz ou inflorescência. Escolha uma categoria para cada amostra.Nominal
Prioridade de revisãoQualitativoNíveis ordenados: baixa < média < alta. A ordem indica prioridade, não diferenças iguais entre os níveis.Ordinal
Temperatura do ar na coletaQuantitativo contínuoCondição do ambiente na coleta, medida em °C, como −2; 10; 20,5. Registre a resolução do instrumento e a incerteza da medição, quando disponível. Zero é uma referência da escala, não ausência de temperatura.Intervalar
Massa secaQuantitativo contínuoMedida não negativa em g, como 2 ou 2,5, conforme o procedimento de secagem e pesagem. Informe a resolução da balança; casas decimais, sozinhas, não demonstram precisão.Racional (de razão)
Registros vinculadosQuantitativo discretoContagem inteira: 0, 1, 2… Não admite frações. Zero indica nenhum registro vinculado; uma contagem desconhecida deve ser marcada como ausente.Racional (de razão)

Uma observação ausente precisa de uma convenção própria, documentada separadamente dos valores válidos. Codificar baixa, média e alta como 1, 2 e 3 não demonstra diferenças iguais entre as categorias.

Precisão, resolução e incerteza: precisão descreve a concordância entre medições repetidas sob condições definidas; resolução é a menor mudança que produz uma alteração perceptível na indicação do instrumento. A incerteza caracteriza a dispersão dos valores que podem ser atribuídos à grandeza medida, com base nas informações disponíveis. Nenhuma dessas propriedades é determinada apenas pelo número de casas decimais. VIM — Vocabulário Internacional de Metrologia. [21]

Aplicação prática: dados reais e suas origens

A tabela didática acima ensina a organização dos dados. Os casos abaixo mostram a mesma leitura em registros do banco Kannabium, fontes químicas como ChEBI (base de entidades químicas) e um conjunto de dados usado no site. Cada linha apresenta um caso distinto, não uma amostra do mesmo experimento. Esses casos não formam uma matriz de objetos comparáveis entre si.

Objeto, atributo e valor em quatro aplicações reais. Dados consultados em 18/10/2026.
ObjetoAtributoValorTipo e interpretaçãoOrigem
THCA sintase — estrutura 3VTEResolução cristalográfica2,75 ÅNumérico: resolução dos dados de difração, em ångströms; não é a incerteza da posição de cada átomo.Banco Kannabium; registro estrutural 1, conferido no RCSB PDB. [6]
Canabidiol — CBDFórmula molecularC21H30O2Simbólico: descreve a composição molecular, mas não especifica sozinho a estrutura ou o isômero. Não é uma quantidade a somar.ChEBI:69478, fonte química oficial. [18]
Linalol — monoterpenoideNúmero de átomos de carbono10Numérico discreto: contagem derivada do termo C10 na fórmula C10H18O.ChEBI:17580; valor derivado da fórmula, não de uma medição de amostra. [18]
Amostra de carreiras 2026Número de registros35Numérico discreto: contagem de registros com identificadores distintos.Conjunto de dados do site, versão 2.4.0. Não representa o total de vagas do mercado. [19]

Tipos de variável e escalas de medição

Uma variável é uma característica registrada. Na tabela de amostras, cada coluna representa uma variável: material é categórico; massa é numérica. Uma tabela pode reunir variáveis de escalas diferentes.

No Kannabium, Plantae–Animalia conecta conteúdos da planta e estudos em animais. A THCA sintase é uma enzima da biossíntese do ácido tetraidrocanabinólico (THCA). O Δ⁹-tetraidrocanabinol (THC) é um canabinoide; o receptor canabinoide tipo 1 (CB1) é uma proteína receptora, não um canabinoide.

Quatro escalas de medição, com definições e exemplos ilustrativos no recorte Plantae–Animalia do Kannabium.
GrupoEscalaDefiniçãoExemplo
CategóricoNominal

Categorias identificadas por nomes, sem ordem de grandeza. Permitem agrupar e contar registros, não comparar níveis.

Relações: x = y ou x ≠ y comparam rótulos. Ordenar ou somar esses rótulos não tem significado quantitativo.

Propriedades: em um campo de categoria única, as categorias devem ser mutuamente exclusivas. Frequência é a contagem de cada categoria; proporção é sua participação no total; moda é a categoria mais frequente, podendo haver empate. [1] [3]

Identidade molecular no conjunto: THCA sintase, Δ⁹-tetraidrocanabinol (THC) ou CB1. Cada rótulo identifica a entidade descrita pelo registro, sem estabelecer uma ordem entre elas. Funções como enzima ou receptor devem ser registradas em outro atributo; não formam necessariamente classes exclusivas.

Notação: se os registros A e C têm o rótulo THC e B tem o rótulo CB1, x_A = x_C e x_A ≠ x_B. A igualdade é entre rótulos, não entre moléculas físicas. THC e CB1 não têm uma ordem nessa variável.

CategóricoOrdinal

Categorias com ordem definida. Indicam níveis de uma característica, mas a ordem sozinha não informa a diferença nem a proporção entre os níveis.

Relações: igualdade e ordem, como baixa < média < alta. A diferença alta − média não fornece uma quantidade.

Propriedades: códigos 1, 2 e 3 podem registrar a ordem, mas seus intervalos numéricos não demonstram distâncias iguais entre as respostas. A classificação permite comparar posições; não calcular dobro ou metade dos níveis. [1] [3]

Em um exemplo didático de ensaio celular com o receptor CB1, as respostas são agrupadas em baixa, média ou alta, conforme faixas definidas para esse ensaio. “Alta” não significa necessariamente o dobro de “média”.

Notação: alta > média > baixa indica apenas a ordem das classes de resposta. Se houver uma medida original do ensaio, ela deve ser registrada com sua unidade, separadamente da categoria.

NuméricoIntervalar

Diferenças iguais representam a mesma variação. O ponto inicial da escala é uma referência, não ausência daquilo que se mede.

Relações: igualdade, ordem e diferenças, como Δ = x − y. Diferenças iguais têm o mesmo significado na mesma unidade. A razão x / y entre os valores originais depende da origem escolhida e não expressa uma proporção da grandeza.

Propriedades: o zero é convencional. A escala informa quais comparações fazem sentido; não garante qualidade da medição nem elimina erros. [1] [3] [4]

Datas ilustrativas de análises de canabinoides em uma amostra de Cannabis: 1, 3 e 5 de junho de 2026. Entre a primeira e a segunda análise passaram-se 2 dias; entre a segunda e a terceira, também. As datas indicam quando as análises ocorreram; a duração do acompanhamento é calculada pela diferença entre datas.

Notação: sejam d₁, d₂ e d₃ essas datas: d₂ − d₁ = d₃ − d₂ = 2 dias. Dividir as datas não informa quantas vezes uma análise foi mais tardia. A duração calculada é outra variável, com zero para nenhum tempo decorrido.

NuméricoRacional (de razão)

Medidas ou contagens com zero que significa ausência da quantidade registrada. Permitem comparar diferenças e proporções, como dobro e metade.

Relações: igualdade, ordem, diferenças e razões. Para valores da mesma grandeza e na mesma unidade, x / y permite comparar magnitudes, desde que y ≠ 0.

Propriedades: zero representa ausência da quantidade definida. Somas, produtos e outras operações exigem interpretação e unidades coerentes; a escala não autoriza qualquer cálculo. “De razão”, também chamada “racional” em algumas classificações, não significa que os valores precisem ser frações p/q. [1] [2] [3]

Número de moléculas de THC em dois modelos didáticos: A contém 1; B contém 2. B tem o dobro dessas moléculas. Um modelo com 0 moléculas de THC não contém esse composto. Se a contagem não foi feita, o valor é ausente, não zero.

Notação: n_A = 1, n_B = 2 e n_B / n_A = 2; logo, n_B = 2 × n_A. n = 0 registra nenhum THC incluído no modelo, não prova ausência do composto em uma amostra física.

Exemplo com temperatura: 10, 20 e 30 °C têm intervalos iguais de 10 °C. Entretanto, 20 °C não é o dobro da temperatura termodinâmica de 10 °C: Celsius usa um zero convencional, não ausência de temperatura. Compare diferenças em °C, não razões entre esses valores. [3]

As faixas de resposta dependem do ensaio e dos seus controles; não são uma classificação universal. Contar moléculas em um modelo não mede afinidade de ligação nem efeito biológico.

Códigos como 001 e 002 identificam amostras. Embora usem números, não representam quantidades nem permitem comparar as amostras como maiores ou menores.

Sequências, estruturas e outros dados biológicos

Na bioinformática, registros de sequência, estrutura, localização e imagem representam aspectos diferentes dos objetos estudados. Identificar o que cada registro descreve é o primeiro passo para escolher como analisá-lo.

Estruturas de biomoléculas
O PDB reúne modelos tridimensionais de proteínas, ácidos nucleicos e seus complexos. A sequência informa a ordem das unidades da molécula; o modelo registra sua disposição espacial. Em PDBx/mmCIF (formato de dados estruturais), as posições dos átomos modelados são registradas por coordenadas x, y e z, em ångströms (Å), unidade de comprimento em escala atômica. Regiões da molécula podem ficar sem coordenadas. Exemplo real: modelo da THCA sintase obtido por cristalografia de raios X, PDB 3VTE. [6] [7]
Dados geoespaciais
Relacionam informações a uma localização. Exemplo: tabela de registros botânicos com espécie, latitude, longitude, data e fonte. As coordenadas permitem representar os registros em um mapa. Para combinar registros, verifique o sistema de referência das coordenadas e a incerteza da localização, quando informada. O mapa mostra registros disponíveis; uma área sem registros não comprova ausência da espécie. [8]
Imagens, áudio e vídeo
Registram informação visual ou sonora. Exemplos: foto de tricomas, gravação de entrevista e vídeo de uma simulação molecular. No vídeo, a molécula aparece como imagem; para calcular distâncias entre átomos, são necessárias as coordenadas da estrutura ou da trajetória, que registra posições dos átomos ao longo do tempo. [1]

Representações de dados e combinações multimodais

A lista reúne formas de representar dados, não classes mutuamente exclusivas: uma sequência pode ser registrada em texto, e um vídeo pode incluir áudio. Multimodal indica a combinação de modalidades, não uma modalidade básica adicional. Estrutura e escala de medição são outros critérios.

Representações, combinações e exemplos de aplicação.
Representação ou combinaçãoExemplo e o que preservar
ÁudioEntrevista gravada: consentimento, taxa de amostragem e origem da transcrição.
Combinação multimodalImagem de folha com espectro e tabela da amostra: identificadores que conectam o mesmo exemplar entre modalidades.
GrafosRede de interações moleculares: identidade dos nós e evidência de cada conexão.
ImagensFotografia de tricomas: resolução, escala e condições de aquisição.
Sequências biológicasDNA, RNA ou proteínas: identificador, organismo, alfabeto e versão do registro.
Séries temporaisMedições repetidas de um sensor: datas e horários, intervalo de amostragem e lacunas.
TextosArtigo científico: autoria, página ou seção e condições de reutilização.
VídeosRegistro do crescimento de uma planta: quadros por segundo, duração e condições de captura.

Sequências biológicas: DNA, RNA e proteínas

Sequências representam uma ordem: de nucleotídeos, as unidades que compõem DNA e RNA, ou de aminoácidos nas proteínas. Após processamento e anotação, podem integrar bancos especializados: o GenBank reúne sequências de nucleotídeos; o UniProt, sequências proteicas e informações sobre sua função. [5] [17]

Na análise, use uma versão definida da sequência para fixar o conteúdo estudado. Anotações podem ser atualizadas sem alteração da sequência; uma versão da sequência não congela todo o registro do banco. Preserve identificador, versão e data de acesso. [5]

No FASTA, cada registro começa por um cabeçalho, seguido pela sequência. As regras do formato organizam essa informação em um arquivo de texto. O termo “bruto” descreve o estágio de processamento dos dados; a estrutura descreve como o conteúdo está organizado. Veja esses elementos em Leia um FASTA real do projeto. [5]

Do registro original ao conjunto de dados

Dados utilizáveis exigem mais que um formato correto. A identificação taxonômica, a origem da observação e o significado da medida precisam permanecer rastreáveis.

Identidade taxonômica
Guarde o nome como publicado, sua autoria e, quando disponível, o exemplar-testemunho. Registre separadamente o nome normalizado, a base consultada e a data ou versão. Correspondência automática de nomes não confirma a identificação da planta. [10]
Traços em textos do GBIF
Katori e Oguro recuperaram traços de descrições associadas a registros do GBIF. Para transformar texto em campos de análise, preserve a passagem original, o identificador do registro, a regra de extração e a unidade. Cobertura ampliada não garante equivalência entre medidas nem a presença de uma espécie específica. [11]
Origem e transformação do valor
Indique se o valor foi observado ou medido, derivado por cálculo ou imputado para preencher uma lacuna ou substituir um registro inválido. Preserve o valor original e documente a transformação, o método e a incerteza. Uma estimativa imputada não deve ser apresentada como medida observada. A dependência estatística entre registros é uma questão distinta. [22]
Órgão, método e detecção
No perfil químico de Jin e colaboradores, inflorescências, folhas, cascas de caule e raízes foram analisadas separadamente. Preserve órgão, material, unidade e replicação. Não detectado, não medido e concentração igual a zero são situações distintas. A não detecção depende do método e do limite de detecção; não demonstra ausência do composto. [12]

Exemplos de aplicação da literatura: Ferreira de Lima e colaboradores (2026), Katori e Oguro (2026) e Jin e colaboradores (2020). São estudos externos, não experimentos realizados pelo Kannabium.

Antes de analisar, registre fonte, identificador, versão e datas disponíveis. Confira o significado dos campos, as unidades, o formato e como os valores ausentes são indicados.

Para comparar massas, confira unidade, tipo e condição do material, como fresco ou seco. Um campo vazio não significa massa igual a zero; consulte a documentação antes de tratar valores ausentes.

A tabela 3 × 5 usa valores fictícios. Os casos reais têm suas fontes identificadas e incluem registros externos e valores derivados; sua presença no guia não os transforma em resultados experimentais produzidos pelo Kannabium.

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Leitura complementar sobre análise de dados e apoio à decisão: Sharda, Delen e Turban. [13]

Fontes e leitura complementar

Os números entre colchetes remetem às referências de cada tópico. Os livros [13]–[15] são sugestões de leitura complementar sobre análise de dados, aprendizado de máquina e apoio à decisão. Os exemplos didáticos aproximam esses conceitos do contexto do Kannabium.

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